quinta-feira, 15 de outubro de 2009

São Paulo, Walker Evans e Chris Marker


Exposição do Chris Marker, no MIS

Duas exposições legais de serem vistas em SP: Chris Marker, no Museu da Imagem e do Som, Walker Evans no MASP. E mais Matisse, na Pinacoteca, as fotos do Porto Seguro no Espaço Porto Seguro, fotos da Maison Européene de la Photographie, no Itaú Cultural, exposições no Museu da Casa Brasileira (fotos de tragédias e invasões). E, ainda, Bresson, no SESC Pinheiros. Já é um bocado de coisas para fazer...

Estive lá no feriado e me diverti bastante. (e nem vou falar sobre o Cauby, no bar Brahma...).

Duas coisas que me chamaram a atenção: um texto do Walker Evans, de 1972, muito a propósito:

“Peguei agora aquela camerazinha SX70 de brincadeira e fiquei muito interessado. Estou muito animado com ela... Mas, um ano atrás, teria dito que a cor é vulgar e não deveria ser utilizada em nenhuma circunstância... Com esta câmera, o trabalho acaba assim que se aperta o botão... Acho que é a primeira vez que se pode por uma máquina nas mãos de um artista e deixá-lo que se preocupe somente com a sua visão, seu gosto e sua mente.”

E outra, um texto do Chris Marker:

Nós trocamos olhares, como se diz, mas o que eles recebem em troca? Às vezes uma fração de segundo, às vezes um olhar comprido, sério; às vezes amigável, às vezes (raramente) hostil; e eu como um rápido batedor de carteiras fugindo com minha generosidade, certo de encontrar um lugar tranqüilo para abri-la à vontade, e me alegrar. E agora todos eles estão alinhados nesta parede como se estivessem esperando pelo esquadrão de fuzilamento ou o último Examinador, unidos como eles vão estar no dia do Julgamento supondo que haverá um e Deus não estará cansado de todos que, irmãos e irmãs finalmente, apesar de que alguns deles tiveram o cara do quadro ao lado atravessado na garganta.

Neste 1/50 de um segundo o trabalhador chileno sob Allende sabia que a fábrica nacionalizada era agora sua propriedade, o boxeador tailandês na lona sabia que ele atingiria o desafio dos Dez Milhões (eles não), a alemã esquerdista sabia que o seu lado tinha sido severamente batido nas pesquisas, o arqueiro coreano sabia que ele era o melhor na sua categoria, os três migrantes chineses sabiam que sem o homem que eles vieram a enterrar, a vida se tornaria mais dura a cada dia. Neste maligno, indefinido mundo, a velocidade do obturador parou o momento mais raro, um momento de certeza.


Fotos: Chris Marker




2 comentários:

eduardo chacha disse...

Maravilha, Flavio ... Bem bacanas os pedacos de texto.

Agora, o proximo post tem que ser so' sobre o CAuby no Bar Brahma !!!

A proposito, tomei uma esses dias e me lembrei de ti: Bar chamado Gold Range (o bar mais couboi do Norte do Canada), uma banda country da pior qualidade (com todo o carinho), lotado de Inuits dancando, e uma cerveja artesanal chamada Yukon Gold ...

Quase como o 'Cauby no Bar Brahma' deles :)

Abracos,
Chacha

Ronaldo Entler disse...

Olá,

acabo de postar alguns fragmentos de filmes filmes do Chris Marker no meu blog: www.iconica.com.br

Se puderem, façam uma visita.

Parabéns pelo blog.